Fato RelevanteAnálise da transação e valorização patrimonial
A conclusão da venda do Shopping Cidade Jardim por R$ 456,3 milhões representa um movimento relevante de reciclagem de capital do XPML11, especialmente considerando que a participação no empreendimento integrava o portfólio desde outubro de 2018. A avaliação implícita de aproximadamente R$ 2,7 bilhões para a totalidade do shopping supera em 57,5% a referência de uma negociação realizada em 2023, quando o empreendimento foi avaliado em R$ 1,7 bilhão. Embora essa comparação demonstre uma valorização expressiva, é importante considerar que as operações ocorreram em momentos distintos e podem apresentar diferenças nas condições comerciais. O ganho de capital estimado de R$ 133,3 milhões, equivalente a R$ 2,07 por cota, representa aproximadamente 29,2% do valor total da alienação, reforçando a capacidade da gestão de realizar resultados por meio da venda de participações imobiliárias. Entretanto, o ganho contábil não deve ser confundido com geração recorrente de caixa ou com uma distribuição extraordinária já definida.

Estrutura de pagamento e liquidez
A operação apresenta uma estrutura de recebimento que merece atenção, uma vez que parte relevante do valor negociado será realizada ao longo dos próximos 12 meses. Dos R$ 456,3 milhões, aproximadamente R$ 151,9 milhões correspondem à assunção de dívidas pelo comprador, enquanto R$ 121,9 milhões foram recebidos em dinheiro no fechamento. Os R$ 182,5 milhões restantes serão pagos em 2 parcelas de aproximadamente R$ 91,3 milhões, com vencimentos em até 6 e 12 meses, ambas corrigidas pelo IPCA. Dessa forma, embora a alienação fortaleça imediatamente a estrutura financeira do fundo, apenas 26,7% do valor total da transação ingressou efetivamente no caixa no fechamento, enquanto 40,0% permanece vinculado a recebimentos futuros. Essa característica limita a disponibilidade imediata de recursos para novas aquisições e introduz exposição ao cumprimento das obrigações pelo comprador, tornando relevante o acompanhamento dos pagamentos e das condições de eventual garantia, que não foram detalhadas no fato relevante.
Redução da alavancagem e despesas financeiras
A assunção de R$ 151,9 milhões em CRIs pelo comprador representa aproximadamente 30% do saldo dessas operações no fundo, reduzindo a relação entre endividamento total e patrimônio líquido de 15,6% para 13,1%, conforme estimativas da gestão com base em junho de 2026. Essa redução de 2,5 pontos percentuais melhora a estrutura de capital e diminui a exposição às despesas financeiras em um ambiente de juros elevados. A economia projetada de aproximadamente R$ 0,02 por cota ao mês corresponde a R$ 0,24 por cota em termos anualizados, caso o benefício permaneça constante. Entretanto, esse efeito não representa necessariamente um aumento equivalente no resultado distribuível, uma vez que o fundo deixa de receber os fluxos operacionais associados à participação alienada. A avaliação econômica completa depende, portanto, da comparação entre o NOI efetivamente convertido em caixa pelo Shopping Cidade Jardim, as despesas financeiras eliminadas e o retorno obtido com a futura aplicação dos recursos.

Sustentabilidade dos rendimentos e resultado recorrente
Apesar do ganho de capital relevante, o principal ponto de atenção permanece na capacidade do XPML11 de sustentar sua distribuição mensal de R$ 0,92 por cota. A própria gestão reconhece que o resultado recorrente está abaixo desse patamar, refletindo tanto o desempenho operacional de determinados empreendimentos quanto as condições macroeconômicas. O ganho extraordinário de R$ 2,07 por cota equivale a aproximadamente 2,25 meses da distribuição atual, mas sua utilização para complementar rendimentos não resolve eventuais desequilíbrios estruturais entre receitas e despesas. A redução das despesas financeiras proporciona algum alívio, mas a venda também elimina a geração operacional do Shopping Cidade Jardim, tornando necessário avaliar o resultado líquido dessa substituição. Entendemos que a manutenção dos rendimentos dependerá principalmente da recuperação operacional dos ativos remanescentes, da disciplina na gestão de despesas e da capacidade de reinvestir o capital em operações com retorno ajustado ao risco superior ao do ativo vendido.

Principais riscos e pontos de monitoramento
O acompanhamento do XPML11 deverá priorizar a evolução do resultado recorrente por cota, especialmente após a retirada da contribuição operacional do Shopping Cidade Jardim. Também será importante observar a efetiva redução das despesas financeiras, o recebimento das parcelas futuras e a destinação dos recursos provenientes da alienação. Outro aspecto relevante será a evolução da ocupação, das vendas dos lojistas e do NOI dos empreendimentos remanescentes, uma vez que a recuperação operacional constitui uma das principais condições para reduzir a dependência de ganhos extraordinários na composição dos rendimentos. Adicionalmente, a redução da alavancagem deverá ser acompanhada em conjunto com eventuais novas aquisições e obrigações assumidas, evitando que o benefício financeiro da transação seja neutralizado por novos compromissos de capital.

Conclusão
A venda do Shopping Cidade Jardim representa um movimento favorável de gestão ativa do XPML11, combinando realização de ganho patrimonial, redução do endividamento e menor exposição a um empreendimento com elevada necessidade de reinvestimentos. A operação melhora a flexibilidade financeira e permite à gestão redirecionar capital para investimentos potencialmente mais eficientes, embora o benefício econômico de longo prazo dependa da capacidade de substituir a geração de caixa livre do ativo alienado. Apesar da avaliação positiva da transação, mantemos uma visão cautelosa em relação à sustentabilidade dos rendimentos, considerando que o resultado recorrente permanece abaixo do patamar distribuído aos cotistas. Nesse contexto, entendemos que a operação fortalece a posição patrimonial do fundo, mas ainda não representa uma recuperação estrutural de sua capacidade de distribuição, sendo necessário acompanhar a evolução operacional do portfólio e a rentabilidade das próximas alocações.